Nascido em 28 de dezembro de 1853 na cidade de Óbidos, Pará, Herculano Marcos Inglês de Souza, mais conhecido como Inglês de Souza, é um dos expoentes da literatura brasileira do período chamado de Naturalismo - movimento caracterizado pela busca da objetividade e das influências ambientais sobre coisas e pessoas.
Foi professor, escritor, advogado e político e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.
O livro em exame é composto por nove estórias, das quais cinco tratam mais específicamente de lendas, crendices populares, personagens e forças sobrenaturais que povoam o imaginário dos habitantes das margens do rio Amazonas, todas entremeadas com cenas de enfrentamento das condições naturais da população ribeirinha.
Em "A feiticeira" o personagem, inicialmente descrente, se envolve com poderes sobrenaturais ao tempo em que teve que enfrentar as forças realmente naturais representadas pela enchente do rio;
Em "Amor de Maria" é um drama em que crenças populares em beberagens poderosas provocam fim trágico;
Em "Acauã" mais uma vez mostra crendice popular, terminando a estória do forma trágica e inusitada;
Já em "O gado do valha me deus" embora dentro do contexto das lendas e costumes dos habitantes amazônicos, não termina de forma dramática;
No "O baile do judeu" o autor junta cenas de costumes e lenda amazônica com um esteriótipo social de judeu;
Nos três que aqui se seguem, mas que não estão nesta ordem no livro, há ricas nuances de como o poder público se havia com as pessoas do interior.
No "Voluntário" expõe drama dos caboclos das margens do Amazonas submetidos aos ditames da burocracia e recrutamento obrigatório de jovens para lutarem na guerra Brasil x Paraguai
Em "O donativo do capitão silvestre" a ficção se socorre de fatos históricos ocorridos no distante sudeste brasileiro mas refletidos nas relações entre as pessoas de Óbidos, sublinhando-se o patriotismo e a disposição daquelas pessoas de defender o Brasil contra uma potência estrangeira;
No "A quadrilha de Jacó Patacho" o tema é a criminalidade temida e fantasiada, já naquela época, pelos habitantes do interior da Amazônia.
Em "O rebelde" a história se desenvolve em torno da cabanagem com algum exame sobre relações entre dominantes e dominados e questões de preconceito racial.
Como se vê, o livro faz rica abordagem dos modos de vida e relações entre pessoas e classes sociais no interior ribeirinho da Amazônia, suas lendas, costumes, modos de produção material e enfrentamento das condições naturais.
