07 March 2007

Prefácio da Primeira Edição (1781)

A razão humana se vê às voltas com questões que se impõem como necessárias pela natureza da própria razão, mas que são insolúveis por estarem acima da capacidade mesma da razão de produzir respostas convincentes.

Mas isso, "Num determinado domínio de seus conhecimentos...".

Faço aqui pequena intervenção, pois o que foi dito está a indicar que a razão possui mais de um domínio de conhecimentos. As questões obrigatórias mas insolúveis estão num desses domínios. É preciso ficar, então, atento para descobrir que domínios são esses. Mas vamos continuar ouvindo o Kant pelas minhas palavras.

Essa insolubilidade de questões levantadas pela razão leva à perplexidade decorrente do fato de que a razão parte de princípios firmes e apoiados na experiência. Mas se eleva a questões cujas respostas estão cada vez mais afastadas da experiência possível. Isto obriga a que a razão se valha de princípios que também não se sujeitam ao teste da experiência possível, mas são considerados insuspeitos e a cujo respeito o senso comum é concordante.

Daí o emaranhar-se a razão em "obscuridades e contradições" obrigando-se a reconhecer que errou, mas sem poder especificar o exato ponto em que se deu tal erro.

A disciplina que se ocupa dessa confusão toda é denominado Metafísica. A mesma Metafísica que fora rainha das ciências e que agora - na época do Kant - era repudiada. Já fora instrumento despótico nas mãos dos dogmáticos com algumas turbulências causadas pelos céticos, mas agora ele, Kant, vislubra a proximidade de "renovação" não só da Metafísica mas também "dessas ciências que o zelo mal-entendido tornara obscuras, confusas e inúteis."

A Crítica da Razão Pura é que colocará as coisas nos devidos lugaras, ou seja, estabelecerá a posição exata da Metafísica enquanto uso da razão para além da experiência. E mais, Kant se arvora de ter descoberto o "...ponto preciso do mal-entendido da razão consigo mesma...", que declinou as questões"... por completo e segundo princípios...", em fuga às questões. Não deu, diz ele, as respostas que os dogmáticos queriam porque essas respostas requeriam poderes mágicos, escarnece. E alerta que não era esse o objeto de seu tabalho, mas sim liminar a ilusão de um mal-entendido por mais bem aceito que fosse.

Pesso a palavra para dizer que creio que ele se referia ao modo em que na sua época se pensavam as questões filosófico-científicas. É possível que o Bacon estivesse na sua mira.

E ele continua, dizendo que desceu às minúcias e que ou resolveu todos os problemas metafísicos ou pelo menos é possível vislumbrar a solução.

E se coloca no lugar do leitor que certamente o achará, a ele, Kant, pouco modesto. Mas se explica dizendo que por se ocupar unicamente do pensamento puro e da razão, não necessida ir algures para buscar conhecimento já que o encontra em si mesmo. E neste ponto lança sua proposição fundamental, que é de fato o conteúdo deste livro, saber

"...até onde posso alcançar com a razão, se me for retirada toda a matéria e todo o concurso da experiência".


Continuando, esclarece ele que se guiou pela certeza e clareza e informa que se capítulo segundo da Analítica Transcendental, "Dedução dos conceitos puros do entendimento" é a investigação mais importante para estabelecer regras e limites para uso da faculdade humana do entendimento. Este capítulo, diz, tem duas partes:

1 - refere-se aos objetos do entendimento puro (conceitos a priori);
2 - refere-se ao entendimento puro em si, sua subjetividade.,


E segue Kant explicando as razões por que evitou dar exemplos: para não acrescentar volume à obra e porque os considerou desnecessários em face ao público erudido a que se dirige.

E ele dá uma definição do que entende por Metafísica: "... um inventário, uniformemente organizado..." de tudo aquilo que pode ser possuído pela razão pura. E mostra aparente tranquilidade dizendo que nada pode escapar uma vez que o que a razão extrai de si mesma não se lhe pode estar oculto. A integridade da Metafísica, diz ele por outras palavas, é garantida pela ausência completa de ingerências de quaisquer experiências possíveis ou até mesmo de intuições particulares. Metafísica é uso de conceito puro do entendimento, potanto.

E ele finaliza este "Prefácio da Primeira Edição - 1781) informando que irá escrever uma "Metafísica da Natureza" que embora menor do que esta Crítica será mais rica e acrescenta que a Crítica reaquereu uma despécie de aragem de terreno inculto por isso um pouco alongada. Além disso dá algumas informações relativas a impressão gráfica da Crítica.

No comments: