09 March 2007

Prefácio da segunda edição (1787)

É pelo resultado que se sabe se o trabalho da razão segue o caminho da ciência. Se há necessidade de voltar atrás, retomar o caminho em outro ponto, vacilos, então este não é o caminho da ciência. É o que entendi que o Kant disse no primeiro parágrafo.

A Lógica, por exemplo, trilha o caminho seguro da ciência, pois desde Aristóteles não deu passo atrás. Tudo o que tentaram acrescentar a ela foi devido ao desconhecimento da natureza dela. O caráter limitado da lógica é a razão de seu sucesso, seus limites são bem determinados.

É curioso notar que para Kant a confusão dos limites é amostra de desfiguração delas. Mas continuemos com ele.

Na lógica, o entendimento apenas precisa se ocupar de si mesmo e de sua forma e não dos objetos e suas diferenças. Seria deveras complicado para a razão se tivesse de tratar de si e dos objetos. A lógica é propedêutica, antecede a ciência.

"O que há de razão nestas ciências é algo que é conhecido a priori..." e há duas maneiras desse conhecimento se referir ao objeto:

1) determinando o próprio objeto e seu conceito; conhecimento teórico;
2) realizando o objeto; (to realize) conhecimento prático.

E aqui Kant faz uma recomendação: a parte pura de cada um, aquilo que a razão possui a priori de ambos deve ser clara e separadamente exposta.

Há dois conhecimentos cujo objetivo devem ser determinados a priori: Matemática, totalmente pura e Física, esta parcialmente pura porque requer formas de conhecimento diferentes daquelas da razão.

A matemática, ainda que com mais dificuldade do que a lógica, achou o caminho da ciência desde a grécia antiga com a demonstração do triângulo isóceles, cujas propriedades se impunham "...sem necessidade de seguir passo a passo o que via na figura...".

A física demorou mais para alçar ao status de ciência e isto ocorreu quando os físicos compreenderam que a razão deve anteceder a experiência com princípios.

Já a Metafísica ainda permanece no caminho da incerteza, não passa de um tatear no escuro. Até agora - o agora de Kant - aceitava-se que o conhecimento deveria ser como uma conseqüência do objeto, que derivasse do objeto.

E Kant propõe o que acredito foi a grande revolução: ao invés de se dar conta do conhecimento pela via dos objetos, dar-se-ia conta dos objetos pela via do conhecimento, ou seja admitir que o objeto só se tornava objeto após o conceito dele.

Hoje em dia, eu mesmo, Fernando, admito que o conhecimento é construido e reconstruido por cada um.

Mas continuando com Kant, diz ele que só conhecemos das coisas o que nós mesmos colocamos nelas a priori. E aqui entendo que ele já vai dlineando seu conceito mais valioso, o de fenômeno.

O bicho está pegando por aqui. Façamos um corte: temos o conceito ou a idéia e o objeto correspondente. Um está na razão outro lá fora. O primeiro deve concordar com as provas da experiência no segundo. Acho que é por aí.

Bem, voltemos ao Kant. Vamos agora a uma dedução desfavorável à ascensão da metafísica à categoria de ciência e que é exatamente o fato de que em face da exigência de concordância com a experiência o conhecimento a priori jamais poderia ir além dela. Ora, o que a Metafísica pretende é exatamente chegar ao conhecimento puro a priori, sem o concurso da experiência.

Como nossa experiência se guia pelos objetos e o entendimento destes sempre exige o incondicionado, então o incondicionado não pode ser pensado sem contradição, qual seja a de que haveria o objeto sem causa.

Como Kant resolve esse imbróglio? diz ele que ao invés de tentarmos regular nossa representação das coisas pelas próprias coisas tais como nos são dadas, deveremos, regular as coisas pelo nosso modo de representação delas. Logo a busca do incondicionado se lançaria por sobre o que não conhecemos das coisas.

E aqui, numa nota de rodapé Kant simplifica bem as coisas: o metafísico divide o conhecimento apriori das coisas em dois:

1) das coisas como fenômenos; e
2) das coisas em si.

A dialética reune os dois colocando-os em acordo com a idéia do incondicionado.

Em seguida aborda a questão de se poder avançar o conhecimento prático para além dos limites da experiência possível. Em nota de rodapé diz que o demonstrará no corpo do trabalho, ficando agora apenas como hipótese.

Informa, ainda, que este trabalho é sobre o método e não sobre o sistema da ciência, e que aqui se altera o método que até então a Metafísica seguiu, operando-se uma revolução tal qual a dos geômetras e dos físicos.

E segue adiante o Filósofo dizendo-nos na páina 32 segundo parágrafo que a razão especulativa tem a característica de poder medir sua capacidade se ser conseqüência ou seja de saber de onde até onde é conseqüência de algo a própria razão ou, ainda, os limites de sua influenciabilidade a partir do modo como escolhe os objetos para pensar bem como as maneiras de as equacionar para si própria. Daí que a razão pura pode e deve elaborar um sistema próprio.
Na p.33 início, diz que pode-se dizer que a razão pura seconstituiu num todok organizado e completo o que garante à Metafísica exaurir por completo o conhecimento de seu objeto.

Já entrando na página 34, diz que há duas utilidades para esta crítica da razão pura: Uma negativa e uma positiva. A negativa é a que leva a certeza de que não se pode extender o conhecimento para além da experiência possível. A positiva é o suso moral que se extende para além da sensibilidade.

Será demonstrado na parte analítica da crítica qued tempo e espaço são formas de intuição sensível. Para Kanti isto significava que espaço e tempo são apenas "...condições de existência das coisas como fenômenos..." e que apenas junto com eles podemnos ter conhecimento das coisas.

Sem esses conceitos de tempo e espaço esfumaça-se nossa possibilidade de qualquer entendimento. Estefato de que só se pode conhecer através da intuição sensível do tempo e do espaço é que mostra que do mundo só conhecemos os fenômenos enão os objetos em si.

Ressalva ele, porém, que se de um lado apenas podemos conhecer os fenômenos, por outro os objetos podem ser pensados como coisas em si.

é bom observar, neste ponto, que, para Kant, segundo Fernando Rabelo, a aparência é sinônimo de fenômeno.

p.35. Fenômenossão também "-das ações visíveis"

Da contradição entre ser livre e ao mesmo tempo não ser, como parece ser o caso da alma humana. como fenômenbo ela não é livre, está sujeita às leis da natureza. como coisa em si é completamente livre.

Ocorrem no humano dois modos de representação: o sensível e o intelectual.

p.36. Uma conclusão minha é de que a moralidade não segue a lei da natureza, pois se assim fosse estaria sujeita a determinantes e nbão atenderia ao princípio da liberdade. que é natureza não pe livrfe, pois está sob o jugo da lei da própria natureza.

Tábua das Matérias

Introdução

I. Doutrina transcendental dos elementos.

....Parte primeira: Estética transcendental.

.........Primeira seção: Do espaço.
.........Segunda seção: Do tempo.

.....Parte segunda: Lógica transcendental.

.....Divisão primeira: Analítica transcendental.
.....Divisão segunda: Dialética transcendental.

II. Doutrina transcendental do método.

......Capítulo I. Disciplina da razão pura.
......Capítulo II. Canone da razão pura.
......Capítulo III. História da razão pura.

07 March 2007

Prefácio da Primeira Edição (1781)

A razão humana se vê às voltas com questões que se impõem como necessárias pela natureza da própria razão, mas que são insolúveis por estarem acima da capacidade mesma da razão de produzir respostas convincentes.

Mas isso, "Num determinado domínio de seus conhecimentos...".

Faço aqui pequena intervenção, pois o que foi dito está a indicar que a razão possui mais de um domínio de conhecimentos. As questões obrigatórias mas insolúveis estão num desses domínios. É preciso ficar, então, atento para descobrir que domínios são esses. Mas vamos continuar ouvindo o Kant pelas minhas palavras.

Essa insolubilidade de questões levantadas pela razão leva à perplexidade decorrente do fato de que a razão parte de princípios firmes e apoiados na experiência. Mas se eleva a questões cujas respostas estão cada vez mais afastadas da experiência possível. Isto obriga a que a razão se valha de princípios que também não se sujeitam ao teste da experiência possível, mas são considerados insuspeitos e a cujo respeito o senso comum é concordante.

Daí o emaranhar-se a razão em "obscuridades e contradições" obrigando-se a reconhecer que errou, mas sem poder especificar o exato ponto em que se deu tal erro.

A disciplina que se ocupa dessa confusão toda é denominado Metafísica. A mesma Metafísica que fora rainha das ciências e que agora - na época do Kant - era repudiada. Já fora instrumento despótico nas mãos dos dogmáticos com algumas turbulências causadas pelos céticos, mas agora ele, Kant, vislubra a proximidade de "renovação" não só da Metafísica mas também "dessas ciências que o zelo mal-entendido tornara obscuras, confusas e inúteis."

A Crítica da Razão Pura é que colocará as coisas nos devidos lugaras, ou seja, estabelecerá a posição exata da Metafísica enquanto uso da razão para além da experiência. E mais, Kant se arvora de ter descoberto o "...ponto preciso do mal-entendido da razão consigo mesma...", que declinou as questões"... por completo e segundo princípios...", em fuga às questões. Não deu, diz ele, as respostas que os dogmáticos queriam porque essas respostas requeriam poderes mágicos, escarnece. E alerta que não era esse o objeto de seu tabalho, mas sim liminar a ilusão de um mal-entendido por mais bem aceito que fosse.

Pesso a palavra para dizer que creio que ele se referia ao modo em que na sua época se pensavam as questões filosófico-científicas. É possível que o Bacon estivesse na sua mira.

E ele continua, dizendo que desceu às minúcias e que ou resolveu todos os problemas metafísicos ou pelo menos é possível vislumbrar a solução.

E se coloca no lugar do leitor que certamente o achará, a ele, Kant, pouco modesto. Mas se explica dizendo que por se ocupar unicamente do pensamento puro e da razão, não necessida ir algures para buscar conhecimento já que o encontra em si mesmo. E neste ponto lança sua proposição fundamental, que é de fato o conteúdo deste livro, saber

"...até onde posso alcançar com a razão, se me for retirada toda a matéria e todo o concurso da experiência".


Continuando, esclarece ele que se guiou pela certeza e clareza e informa que se capítulo segundo da Analítica Transcendental, "Dedução dos conceitos puros do entendimento" é a investigação mais importante para estabelecer regras e limites para uso da faculdade humana do entendimento. Este capítulo, diz, tem duas partes:

1 - refere-se aos objetos do entendimento puro (conceitos a priori);
2 - refere-se ao entendimento puro em si, sua subjetividade.,


E segue Kant explicando as razões por que evitou dar exemplos: para não acrescentar volume à obra e porque os considerou desnecessários em face ao público erudido a que se dirige.

E ele dá uma definição do que entende por Metafísica: "... um inventário, uniformemente organizado..." de tudo aquilo que pode ser possuído pela razão pura. E mostra aparente tranquilidade dizendo que nada pode escapar uma vez que o que a razão extrai de si mesma não se lhe pode estar oculto. A integridade da Metafísica, diz ele por outras palavas, é garantida pela ausência completa de ingerências de quaisquer experiências possíveis ou até mesmo de intuições particulares. Metafísica é uso de conceito puro do entendimento, potanto.

E ele finaliza este "Prefácio da Primeira Edição - 1781) informando que irá escrever uma "Metafísica da Natureza" que embora menor do que esta Crítica será mais rica e acrescenta que a Crítica reaquereu uma despécie de aragem de terreno inculto por isso um pouco alongada. Além disso dá algumas informações relativas a impressão gráfica da Crítica.

Dedicatória

Kant faz uma dedicatória de sua segunda edição da Crítica, em abril de 1987, "A sua Excelência O Ministro de Estado do Rei Barão de Zedlitz". Bem, na dedicatória ele diz humilde, agradece a confiança e trata o Ministro de "protetor" e "conhecedor" . Provavelmente ele tinha lá suas razões para esse rapapé todo.

Bacon de Verulâmio Instauratio Magna - Prefácio

Bacon de Verulâmio Instauratio Magna????

Fiquei curioso quanto a estas palavras que aparecem antes da palavra "Prefácio". Vi aqui na Internet que há dois nomes nesse título: um é o nome de um filósofo chamado Bacon de Verulâmio, o outro nome, Instauratio Magna, é o nome dado a uma obra sua, "Grande restauração", que continha idéias sobre novo método de abordagem do como conhecer o mundo.(1)

Aparentemente, Kant quis se referir a essa obra em seu prefácio. Posso adiantar, do que li na Wikipedia (op cit.) e baseado na leitura preliminar que fiz da Crítica da Razão Pura ora em exame, que Kant contrariou frontalmente idéias de Bacon, se não todas pelo menos algumas, posto que este partiu de fatos observados e considcerados como dados em si mesmos, coisa que Kant descarta, pois sua posição é de que só conhecemos os fenômenos, aquilo que nos é permitido abordar pela via da razão.

Para encerrar essa dúvida sobre o porque de aparecer o nome do Bacon e sua obra antepostos ao prefácio do livro do Kant, vamos olhar duas datas. A da primeira edição, conforme consta da tradução em exame, 1781 e o período de vida do Bacon, 1561-1626. Portanto a obra de Bacon antecedeu a de Kant em pelo menos 150 anos, ou seja a obra de Bacon esteve sujeita à crítica de Kant.

Muito bem, vamos agora ao conteúdo do Prefácio de Kant à sua Crítica da Razão Pura. De saída, sei lá por que, ele diz que vai guardar silêncio quanto a si. Todavia diz que que enunciará seu objetivo porque quer que as pessoas entendam esse objetivo como missão "verdadeira" e não como opinião "mera". Ele diz querer que as pessoas entendam que ele está lançando mesmo "...as bases do bem-estar e grandeza do gênero humano." e não "...as bases de alguma seita ou dogma" e que sua "Instauratio" representa "...o fim e o arremate de um erro ilimitado." É difícil não pensar que ele realmente está se referindo e criticando a obra de Bacon. O erro ilimitado seria justamente a proposição do Bacon, relativa ao método indutivo citado pela Wikipedia (op cit.)?

Posteriormente cheguei à conclusão de que Kant apenas homenageou o Bacon colocando o prefácio da Instauratio Magna na abertura de sua, do Kant, Crítica da Razão Pura.









(1) WIKIPEDIA A ENCICOLPÉDIA LIVRE. Francis Bacon (filósofo). http://pt.wikipedia.org/wiki/Francis_Bacon_(filosofo). Acesso em 07 mar 2007, 21:12