06 December 2011

Escrever um livro

Minha vida inteira pensei em escrever um livro ou mais de um se fosse necessário ou possível.    Mas o tempo foi passando, passando, e o impensável aconteceu: livros escritos em papel estão se tornando obsoletos.  Conheço dois estudantes de curso superior, um que o tem completo e outro que termina ano que vem, que não montaram suas próprias  bibliotecas.  Como eles ainda pegaram esta fase de transição, a da agonia do livro em papel, tiveram de dar uma visitada ou outra à biblioteca e compraram dois ou três livros.

E também conheço pessoas que escreveram livros e os volumes ficaram entulhando a casa dos escritores, quase não tiveram saída.   Parece que isso é meio comum, e muitas pessoas que levaram a cabo a empreitada ficaram com os livros encalhados.

Por isso arranjei mais uma justificativa para não escrever um livro. Sendo autor desconhecido e provavelmente medíocre, o livro que eu viesse a escrever certamente ficaria encalhado em casa.  Então não escrevo o tal livro, porque não quero nada encalhado em casa a não ser eu mesmo.

Todavia, algumas pessoas sentem necessidade de escrever.  Umas o tempo todo, outras vez por outra.  Encaixo-me no segundo grupo.  De vez em quando preciso escrever, discorrer sobre algum tema.  Felizmente, tenho discernimento bastante ainda para não gastar dinheirinho imprimindo meus saberes.   Ninguém está interessado neles.   

E não pense que essa consciência é desprovida de objetividade.  Pelo contrário é bem objetiva e se baseia na repercussão dos meus blogs.   Ora, se ninguém liga para meus textos no blog, interessaria menos ainda na forma em papel.   Essa é a pura verdade.    E assim o projeto do livro vai ficando para depois.

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