As duas pessoas são o economista Ricardo Bergamini e o jornalista Carlos Alberto Sardenberg. Do primeiro leio textos aqui na Internet, do segundo vi entrevista na Globo News, canal de TV por assinatura.
Pois bem. Ambos comparam média de gastos para pagar aposentados do serviço público com a média de gastos para pagar aposentados pela previdência social. Há membros do governo que corroboram essa idéia. Pode ser verdade que o gasto do governo com os aposentados dos serviços públicos seja muito maior e atende número muito menor de pessoas quando feita a tal comparação.
Desagrada-me esse raciocínio porque leva em conta apenas médias aritméticas de valor de aposentadoria sobre número de servidores aposentados. Esquecem-se de analisar, por exemplo:
- o grau de formação escolar dos grupos em exame?
- a maneira como os servidores de cada grupo adentraram nos respectivos empregos?
- os cursos técnicos e teóricos, graduaçoes e pós graduações realizados?
- quais os esforços empreendidos pelos membros de cada grupo para tocar seu trabalho?
- que trabalhos fizeram essas pessoas durante sua vida profissional?
- houve deslocamentos de famílias para tomar posse no emprego?
- Seus salários maiores - que refletiram no valor das aposentadorias - surgiram do nada? Não houve contribuição?
A falta de conhecimento deles decorre de que talvez seja muito difícil obter informações para dar tais respostas. Então, que se calem provisoriamente essas vozes, até que possam oferecer aproximações mais abalizadas do seu objeto de opinião. Às vezes um sabido precisa dizer "não sei, vou pesquisar". Isso não é vergonha, não, é até enaltecedor do trabalho opinativo.
Além disso, comparar apenas o valor médio das aposentadorias de cada grupo pode servir a propósito que, me parece, nem os dois comentaristas citados têm consciência, mas membros do governo sim. Avacalhar aposentados do serviço público e fornecer respaldo para a sociedade reduzir salários deles, esquecendo de que, para sua conveniência, ela, a sociedade, usou os serviços dos aposentados por trinta anos ou mais.
Como, aliás, em nome da sociedade já fez a canalhada travestida de guardiões da ética na política, que, enquanto era oposição, votava contra tudo e contra todos. Contra a taxação do servidor público aposentado, contra a DRU, contra a CPMF, contra o lucro dos bancos, etc. Depois, ao pular para dentro do governo, passou, primeiro a pagar mensalão a políticos como meio de aprovar, entre outras, a taxação dos aposentados. Depois, por vias corruptas diversas - fisiologismo e aparelhamento da máquina de governo -, aprovou tudo o mais que antes repudiava, além é claro de, por suas ações, confessar que sempre soube que, no sistema vigente, capitalistas precisam sim ter seus lucros e que o ser contra de antes era pura fita.
Então, Srs. Ricardo Bergamini e Carlos Alberto Sardenberg e seguidores, vão dar estudada melhor antes de ficarem por aí dando opiniões não muito bem embasadas que podem vir a prejudicar quem já gastou a vida como servidor público.
Em 01.12.17 o Google mosta o artigo a seguir que corrobora e expande meu correto entendimento.
Justiça suspende propaganda da reforma da Previdência
A Justiça Federal do Distrito Federal determinou nesta quarta-feira que a peça de propaganda da reforma da Previdência cujo mote é “Combate aos Privilégios” seja suspensa “nas mais diversas mídias e suportes em que vêm sendo publicadas”, sob pena de multa diária de 50.000 reais. A decisão da juíza federal Rosimayre Gonçalves de Carvalho, da 14ª Vara Federal do Distrito Federal, é liminar e atendeu a um pedido da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip) e da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco).
Na propaganda, o governo do presidente Michel Temer (PMDB) afirma que “tem muita gente no Brasil que trabalha pouco, ganha muito e se aposenta cedo” e que “com a reforma, servidores públicos ou não terão regras equivalentes”.
As associações argumentaram à Justiça que a campanha não tem “cunho educativo” e apresenta “propagação inverídica sobre o tema”, em desrespeito ao decreto 6.555/2008 e da Instrução Normativa 7/2014 da Secretaria de Comunicação da Presidência. Por meio de nota, a Anfip ainda afirma que os servidores públicos são “usados indevidamente” na propaganda e “alvos de uso político como mote para a aprovação de uma reforma cruel e draconiana”.
A juíza federal Rosemayre Carvalho concordou com a reclamação e classificou a campanha como “genuína propaganda de opção política governamental que objetiva conduzir a população à aceitação da reforma da previdência, tal como idealizada pelo Executivo”. “Para tanto, lançou-se mão de recurso publicitário com mensagem que, aparentemente, refoge aos vetores definidos constitucionalmente, notadamente por usar como recurso de convencimento a desqualificação de parte dos cidadãos brasileiros, unicamente por integrarem a categoria de servidores públicos”, afirma a magistrada


No comments:
Post a Comment