05 March 2009

Você é um líder negociador ou manipulador?

Parece que houve um tempo em que empresas precisavam de líderes autoritários mais do que de negociadores. Hoje em dia elas precisam mais de negociadores do que de autoritários. Então, houve uma mudança nisso.

O que não mudou é que há pessoas que até poderiam ser bons negociadores, mas, no afã de atingir os objetivos da negociação, escondem informações das partes. Neste caso a pessoa deixa de ser negociadora e resvala para o campo da manipulação. Devemos evitar esse tipo de deslize por antiético e antiestético.

Antiético porque tenta manter alguém na ignorância com o objetivo de explorar essa ignorância no desenrolar do negócio. Antiestético porque despreza o fato de que a beleza da boa negociação está no jogo limpo, na clareza de princípios.

Bom negociador, sim. Manipulador, jamais!

04 March 2009

Criatividade? cadê a minha?

De uns 20 anos para cá tenho me revoltadado contra minha ausência de criatividade. Revolta meio inútil, mas é um começo, né.

Valha-me Millor Fernandes com sua frase "Pensar! Livre Pensar! É só Pensar!"

Paulo Freire acrescentaria: pensar criticamente.

Já eu me saio com esta: a Internet democratizou a mediocridade!

O erro 6l9

Pouco antes de me colocar em retiro e meditação na Praia do Murubira, Ilha do Mosqueiro, a 60 quilômetros de Belém – Pará – Brasil, procurei me informar minimamente sobre como poderia acessar a Internet, pois não queria me isolar dos meus contatos cibernéticos.

Ignorei a dica de um dos meus amigos inteligentes que disse ter feito lá uma avaliação em termos de custo x benefício e optei por um mini modem TIM-Web, pois toda minha família em Belém utiliza o celular dessa Empresa e calculei que ficando dentro da plataforma TIM teríamos mais facilidades. A comunicação entre usuários de produto de uma só empresa, em prencípio, princípio que adoto, é mais fácil do que entre usuários de produtos de empresas diferentes.

Tudo certo. O funcionário da TIM me garantiu verbalmente que onde houvesse celular dela funcionando o mini modem também funcionaria. O que ele não me disse, mas uma colega dele disse depois, quando, anteontem, precisei recorrer ao atendimento pessoal da TIM, é que não havia cobertura da TIM em 3G para a Ilha do Mosqueiro. Não entendo de “3G’s”, mas sei que não ter isso é não ter, também, velocidade decente nos uploads e downloads, vale dizer, eu estava com uma internet a rádio super-hiper-lenta, coisa que sempre temi nesta minha vida de abusuário.


Mesmo assim consegui trabalhar com o tal mini modem por dois meses. Anteontem o bichinho não punha a Internet no ar nem por reza braba. Recusou-se a me conectar à rede dizendo ora que eu não estava autorizado a isso, ora que havia “erro 101:Falha na Conexão. Pressione F1 e consulte a resolução de problemas”. Segui todos os rituais que aprendi nos meus mais de 30 anos de curiosidade em computação, desliguei e liguei de novo, troquei de tomada USB, enfim, todos os rituais de usuário, e nada.

Contatei a TIM pelo *144 e após passar pela barreira dos “clique um se isto, clique dois se aquilo, ....,” fui atendido por uma mulher, de voz jovial e que, aparentemente, ia consultando lá algum manual enquanto me orientava. Mas ela fez tudo com muita competência que rimou perfeitamente com paciência, de modo que, seguindo a orientação dela, pude desinstalar o software e instalar de novo incluindo modificações em alguns parâmetros. Mas o mini modem permaneceu piscando sua luz verde, impassível. Nada de entrar na Internet. Após umas duas horas de atendimento a moça deu por esgotados seus recursos e me passou o telefone do fabricante do mini modem, a Huawei. Tudo o que era possível fazer havíamos feito.

Mas senti que o encaminhamento para a Huawei foi algo natural, corriqueiro, coisa de rotina mesmo, nada de excepcional. Até indaguei se, talvez, não houvesse alguma relação com o fato de ter entrado em funcionamento anteontem a portabilidade de números de celulares, mas ela descartou.

A Huawei também me fez passar por pequena barreira de “clique um para isto clique dois para aquilo” – pequena barreira, não chega nem perto do atendimento do cartão de crédito do BB/Visa por telefone – e orientou no sentido de que eu acessasse o site deles e baixasse um arquivo de orientações para corrigir o erro 619 que é o mesmo 101, sendo que este último é informado pelo sistema TIM-web mas não consta da lista de erros do help dele mesmo .

Tudo bem, peguei o carro da minha mulher – o meu estava sem bateria, roubada no fim de semana – e fui procurar na vila uma dessas lan houses ou cyber cafés, já que na praia onde me encontro, badalada nas festas e no verão daqui, é um ermo nestes dias de pós carnaval.

Na lan house ou cyber café descobri que a pessoa que me atendera na Huawei me dera endereço errado na Internet, pequeno erro, nada que São Google não resolvesse. Gastei três horas lá, mas baixei três arquivos, dois que se propunham a consertar o erro 6l9 e um orientador passo a passo. Estão ali, guardadinhos no meu pen drive. Um é zipado, espero não encontrar resistências para deszipar ele. Meu computador tem personalidade reticente já. Preciso formatar o HD – hard disc dele. Humm! Há 25 anos esses HD seriam chamados de disco Winchester .

Bem, ontem, lá pelo meio dia, quando eu ia iniciar os procedimentos para o tal conserto do tal erro 619, uma aventura, mesmo para quem já programou em COBOL, Basic, Rexx, Dbase II e etc, o mini modem botou a Internet no ar normalmente, como se nada daquela novela tivesse acontecido.

02 March 2009

Porque todo mundo diz que o governo é ladrão?

Trabalhei em duas autarquias e em uma empresa de economia mista, todas empresas do governo federal, no período de 1971 até 1997, o que totaliza 26 anos. Como eu nunca roubei ninguém e sempre procurei fazer meu serviço direitinho, e onde eu trabalhei havia pencas de pessoas honestas e trabalhadoras, eu não entendia porque as pessoas gostavam de chamar o governo de ladrão.

Agora, aposentado e tentando me estabelecer como empresário fiz uma descoberta que ajuda a explicar em parte o porque de as pessoas pensarem daquela forma.

Há pelo menos duas vertentes explicativas. A primeira, mais séria, nos remete ao passado colonial, quando tudo o que tivesse utilidade na colônia era propriedade da metrópole onde ficava a sede do governo, ou seja a pessoa do rei. Algo como uma impregnação em nosso DNA cultural trouxe até os dias de hoje a raiva contra o governo central, raiva essa que se generaliza para tudo quanto é governo, inclusive os mini governos da empresa e até da família. Essa é, então, uma maneira de ver a coisa.

A outra maneira é simplesmente tentar viver honestamente no mundo dos negócios. Precisei me desfazer de minha Academia de Capoeira Cambará, onde também funcionava a sede social da AAGIL. Como em dez anos eu nunca paguei IPTU, a dívida se avolumou e, além disso, a Prefeitura de Belém - Secretaria de Finanças - me informou que iria me tomar o prédio se eu insistisse em não pagar. Eles usaram lá a linguagem deles de advogados, muitos termos técnicos, tudo para significar exatamente o que eu disse: ou paga ou a gente te toma.

Muito bem. Aquela realção da Prefeitura já era esperada. Um dia iria acontecer. Eu já tentara credenciar meu galpão junto a Prefeitura e alocar um núcleo do projeto "Segundo Tempo" do governo federal. A Prefeitura é uma gestora do projeto em Belém. Seus técnicos, quatro professores de Educação Física, visitaram a Academia e deram parecer verbal favorável. Nunca, porém, me informaram o motivo real de minha correspondência nem ter sido respondida por escrito. Simplesmente esqueceram o assunto.

Depois, em 2008, pré projeto envolvendo a AAGIL enviado a um órgão do Governo Estadual, a SEEL-Secretaria de Estado Esporte e Lazer, foi indeferido ainda como pré projeto, a bem da verdade, devidamente justificada por escrito a negativa. Não sem antes eu ter preenchido horrores de formulários e entregue sem protocolo a funcionário daquela Secretaria que me deu outro horror de formulários para preencher além de lista de declarações de outros orgãos do governo - das três instâncias - sobre a situação da AAGIL.

Comecei a pegar as declarações e empaquei logo na primeira, relacionada com a Receita Federal, que me pediu para ir lá pessoalmente. Insisti na segunda declaração indo até a Secretaria de Finanças da Prefeitura. Me decepcionei, vi que meus quase trinta anos de burocrata do governo não iriam ser suficientes para extrair daqueles órgãos as tais declarações.

Contratei e paguei 50% do salário mínimo como entrada do montante estabelecido por uma contadora, Dona Maria das Graças, que faz a contabilidade da Cambará desde 1998. Ela pulou daqui, pulou dali, me pediu procuração e dezenas de xerox devidamente autenticadas, mas empacou também, não conseguiu tirar todas as tais declarações das três instâncias de governo, a municipal, a estadual e a federal. Segundo me relatou, o emperramento se deu mesmo em nível de município e de Estado do Pará.

Com aquelas declarações eu pretendia apoiar proposta de convênio com o Governo do Pará visando aprovar nova versão do projeto que fora indeferido quando ainda era pré projeto. Iria insistir junto a SEEL, agora devidamente saneadas as questões que ela informou terem justificado a inépcia do pré projeto. Esse projeto, se implantado na Cambará, permitiria que eu pagasse o IPTU, ainda que meu trabalho continuasse a ser gratuito, coisa que pouco me incomodava desde que eu pudesse continuar atuando no bairro da Condor com minha academia.

Outra opção seria estabelecer convênio com a mesma SEEL para realizar o Paraense de Patinação 2009. Mas para qualquer das opções eu precisava de documentos impossíveis de desovar dos órgãos municipais e estaduais. Quedou morto meu intento. Sem aqueles papéis nada feito. Lembrei que preciso ler um livro, acho que do Franz Kafka, chamado "O Processo".

Inviabilizada a hipótese de o Governo assumir o ônus da manutenção do galpão, contratei uma corretora de imóveis para alugar e administrar o aluguel. Com o dinheiro do aluguel eu pagaria o IPTU para a Prefeitura de Belém. A imobiliária Milena Azevedo alugou para um cidadão honesto e trabalhador que transformou minha Academia de Capoeira Cambará em casa noturna de shows, a "Zorra". Mais bonita, preta por dentro, parcialmente forrada com materiais isolantes de barulho, half e minirampa viraram palco preto, fios elétricos e canos embutidos nas paredes, enfim, mais bem arrumada. Ir de academia desportiva para casa noturna, contudo, é algo que eu jamais quis para meu empreendimento. Shows noturnos são incompatíveis com práticas esportivas. Mas pagar a prefeitura falava mais alto e o alguel se consumou e comecei a pagar o IPTU atrasado com ele. Continuei, depois, a pagar com meu salário mesmo, porque o locador me deu calote sem que a corretora levantasse um dedo para me ajudar.

Tudo isso já me era suficiente para entender, entre outras coisas, porque as pessoas chamam os governos de ladrões. Mas, quando eu pensava que a coisa ia ficar por aí, me lembrei da Secretaria da Receita Federal: "Não esqueça de pagar imposto de renda sobre os aluguéis" . Caramba, meu, eu me desfiz de um negócio bacana para poder pagar IPTU, mas agora, além do IPTU à Prefeitura terei de pagar, sobre os alugués, Imposto de Renda ao Governo Federal.

Agora eu entendo muito bem porque as pessoas gostam de chamar os governos de ladrões.