Ocorre que a mim me parece que nosso sistema alimentar se encontra grandemente impregnado pela ideologia da classe dominante, ou seja, obte lucro a qualquer custo o mais rápido possível, idéia ao mesmo tempo escamoteada mas visível a olho nu.
É óbvio que grandes corporações forçam o consumo e impõem preços, produtos e serviços, inclusive relacionados a saúde e alimentação, sob a capa da justiça e do costume, ainda que, muitas vezes, esses produtos, bens e serviços não sejam os mais adequados à saúde das pessoas.
Vá a uma farmácia ou supermercado. Você verá, tanto na parte de suplementação alimentar, quanto na de alimentos empacotados, que os produtos possuem, via de regra, maior quantidade de carbohidratos em relação aos demais conteúdos, proteínas, por exemplo.
Vá a uma farmácia ou supermercado. Você verá, tanto na parte de suplementação alimentar, quanto na de alimentos empacotados, que os produtos possuem, via de regra, maior quantidade de carbohidratos em relação aos demais conteúdos, proteínas, por exemplo.
Alimentos de supermercado e suplementos alimentares vendidos também em farmácias ou lojas especializadas, são cultivados, industrializados, embalados e distribuídos por grandes corporações. Tais corporações estão entre as que tem o verdadeiro poder de uma nação, que é o poder econômico.
Então, sabemos que esse poder econômico pertence, também, a poderosas organizações envolvendo prestação de serviços de saúde, agronegócio, hospitais, farmácias, postos de saúde, governantes, fabricantes de remédios e equipamentos.
Então, sabemos que esse poder econômico pertence, também, a poderosas organizações envolvendo prestação de serviços de saúde, agronegócio, hospitais, farmácias, postos de saúde, governantes, fabricantes de remédios e equipamentos.
Tais organizações, com fins lucrativos -exceto governo, naturalmente -, patrocinam eventos, pesquisas, programas de TV, revistas, congressos, eventos esportivos gigantescos, forcecem amostras grátis para médicos, enfim, há enorme gama de pessoas profundamente envolvidas com a ideologia do lucro quando deveriam cuidar mais da nossa nutrição e saúde do que de encher os próprios bolsos de dinheiro.
É nesse sentido, então, que nós temos algo da ideologia para comentar numa história de diabetes. Como se deu isso comigo no varejo, em termos práticos?
Na minha segunda consulta médica, para me orientar sobre cirurgia de hérnia inguinal, levei os resultados do exame de sangue ao geriatra. Ele leu atentamente e cantarolou baixinho, mas audível:
"-- vai ter que tomar remédio, vai ter que
tomar remédio." Ainda tenho a melodia na minha cabeça: lá dó dó dó dó ré dóóó lá, lá dó dó dó dó ré dóóó lá.
Nesse dia a glicemia já tinha caído para 160 ou 150, ou seja, 50% da glicemia média dos três meses anteriores. Ele falou que tinha caído porque eu já tinha retirado da minha alimentação alimentos com carbohidrato: açúcar, arroz macarrão, pão.
Receitou suplemento alimentar que, só percebi depois, tinha 50% de carboidrato. Então, todo dia de manhã eu tomava três colheres medidas daquele suplemento e de tarde tomava outras três. O médico receitou aquilo porque eu estava com acentuada perda de peso, sarcopenia, e precisava de reforço proteico.
Acontece que o suplemento, como eu disse, tinha 50% de carboidrato, o que quer dizer que das seis colheres medidas que eu tomava, três colheres medidas eram açúcar. Ora como uma pessoa que tem diabetes pode tomar três colheres medidas de açúcar sem exacerbar ainda mais sua doença?
Pensei que o médico era burro. Mas não era. Acontece que está nas diretrizes alimentares brasileiras a indicação de ingerir cerca de mais de 50% de carbohidratos na nossa alimentação.
Nem mesmo de um médico, por mais bem preparado que seja, podemos esperar que compreenda que as diretrizes que segue sejam impregnadas de interesses das classes dominantes. Até porque, via de regra, esses profissionais são recrutados entre membros dessas classes ou são apenas cooptados pela ldeologia delas, incapazes, portanto, de enxergar algo fora de seu horizonte formativo.
Há, portanto, um viés ideológico de difícil superação que impregna nosso dia-a-dia, inclusos profissionais da saúde. Exemplo prático, as diretrizes da ADA - Associação Americana de Diabetes, que só veio a reconhecer em 2019 que estratégias alimentares de redução de carbohidratos são as mais adequadas para tratamento da diabetes.
É nesse sentido, então, que nós temos algo da ideologia para comentar numa história de diabetes. Como se deu isso comigo no varejo, em termos práticos?
Na minha segunda consulta médica, para me orientar sobre cirurgia de hérnia inguinal, levei os resultados do exame de sangue ao geriatra. Ele leu atentamente e cantarolou baixinho, mas audível:
"-- vai ter que tomar remédio, vai ter que
tomar remédio." Ainda tenho a melodia na minha cabeça: lá dó dó dó dó ré dóóó lá, lá dó dó dó dó ré dóóó lá.
Nesse dia a glicemia já tinha caído para 160 ou 150, ou seja, 50% da glicemia média dos três meses anteriores. Ele falou que tinha caído porque eu já tinha retirado da minha alimentação alimentos com carbohidrato: açúcar, arroz macarrão, pão.
Receitou suplemento alimentar que, só percebi depois, tinha 50% de carboidrato. Então, todo dia de manhã eu tomava três colheres medidas daquele suplemento e de tarde tomava outras três. O médico receitou aquilo porque eu estava com acentuada perda de peso, sarcopenia, e precisava de reforço proteico.
Acontece que o suplemento, como eu disse, tinha 50% de carboidrato, o que quer dizer que das seis colheres medidas que eu tomava, três colheres medidas eram açúcar. Ora como uma pessoa que tem diabetes pode tomar três colheres medidas de açúcar sem exacerbar ainda mais sua doença?
Pensei que o médico era burro. Mas não era. Acontece que está nas diretrizes alimentares brasileiras a indicação de ingerir cerca de mais de 50% de carbohidratos na nossa alimentação.
O médico nem teve o trabalho de procurar adequação da carga glicêmica do suplemento à minha condição de intolerância à ingestão de carbohidratos.
Há excessões, aprendi depois, mas a maioria dos suplementos populares disponíveis tem cerca de 50% de carbohidratos, estando dentro dos limites legalmente permitidos.
Aliás, é preciso dizer, que na primeira consulta, quando ainda não tínhamos os exames de sangue, ele me receitou suplemento alimentar com 24% de açúcar. Na segunda consulta, quando do diagnóstico de diabetes, ele receitou outro produto, em substituição ao primeiro, da mesma empresa, mas com 50% de carbohidratos.
Quer dizer, ao elaborar o diagnóstico da doença, ele receitou ingestão de alimento que iria agravar drasticamente a doença. Gente, um geriatra experiente que, segundo me disse, cuidava de várias pessoas velhas, uma com 100 anos!
Aliás, é preciso dizer, que na primeira consulta, quando ainda não tínhamos os exames de sangue, ele me receitou suplemento alimentar com 24% de açúcar. Na segunda consulta, quando do diagnóstico de diabetes, ele receitou outro produto, em substituição ao primeiro, da mesma empresa, mas com 50% de carbohidratos.
Quer dizer, ao elaborar o diagnóstico da doença, ele receitou ingestão de alimento que iria agravar drasticamente a doença. Gente, um geriatra experiente que, segundo me disse, cuidava de várias pessoas velhas, uma com 100 anos!
Outro exemplo significativo é o de um suplemento que ostenta em sua embalagem desenho simulando um carimbo dizendo que o produto é específico para pessoas diabéticas. Ora, no rótulo do produto constam os carbohidratos, quase 50 %. Se metade daquilo é açúcar, como pode ser bom para pessoas com DB2?
Isso, minha gente, sem falar no fato de que você paga caríssimo por um suplemento alimentar, mas leva metade em açúcar que tem valor bem menor. Quer dizer aplica-se a 50 % de açúcar o mesmo preço cobrado pelo suplemento. Aliás, estamos falando em ideologia, certo? Pois bem, quando eu concluía escrita deste trecho, comentei o conteúdo com uma pessoa. Ela disse que não concordava comigo, pois achava que o açúcar era colocado apenas para o suplemento ficar gostosinho.
Pior é que ela tem razão, parcialmente, porque açúcar vicia. Este fato é importante, anotem aí: carbohidrato vicia, por isso é difícil evitá-lo.
Voltando ao meu exemplo falei via telefone com a nutricionista de plantão na empresa que vende o tal suplemento para pessoas diabéticas. Ela respondeu que o produto era testado e tinha as características exigidas pela legislação brasileira e pela Associação Americana de Diabetes (ADA).
Pedi a ela para registrar e encaminhar aos escalões da empresa minha observação de que tal produto era deletério para pessoas diabéticas, por conter quase metade de puro açúcar. Ela disse que faria o encaminhamento e que eu receberia resposta.
Nunca recebi resposta, nem era necessário, pois qual seria a resposta previsível de um criminoso, que não fosse negar a autoria e até o crime? Segue parte da conversa obliterando os nomes por razões de segurança jurídica:
Esses exemplos mostram alguns dos múltiplos aspectos da sobreposição do interesse das classes mais poderosas em detrimento do comum das pessoas.
Isto não quer dizer que os profissionais envolvidos são pessoas burras ou más. O fenômeno se dá por via ideológica, pela qual todas as pessoas acreditam em algo que, imperceptivelmente, de fato beneficia alenas os detentores de poder em prejuízo do comum das pessoas.
Esses exemplos mostram alguns dos múltiplos aspectos da sobreposição do interesse das classes mais poderosas em detrimento do comum das pessoas.
Isto não quer dizer que os profissionais envolvidos são pessoas burras ou más. O fenômeno se dá por via ideológica, pela qual todas as pessoas acreditam em algo que, imperceptivelmente, de fato beneficia alenas os detentores de poder em prejuízo do comum das pessoas.
Muitas destas pessoas, mesmo as menos aquinhoadas materialmente, até desconfiam de que "tudo é interesse" mas passam ao largo do entendimento de que a ideologia vigente, oriunda das classes dominantes, fornece o enquadramento geral dos processos, inclusive do ponto de vista da legalidade.
Isso, minha gente, sem falar no fato de que você paga um kilo de suplemento alimentar, mas leva metade em açúcar que tem valor bem menor. Aliás, estamos falando em ideologia, certo? Pois bem, quando eu concluía escrita deste trecho, comentei o conteudo com uma pessoa. Imaginem? Ela disse que não concordava comigo, pois achava que o açúcar era colocado apenas para o suplemento ficar gostosinho.
Nem mesmo de um médico, por mais bem preparado que seja, podemos esperar que compreenda que as diretrizes que segue sejam impregnadas de interesses das classes dominantes. Até porque, via de regra, esses profissionais são recrutados entre membros dessas classes ou são apenas cooptados pela ldeologia delas, incapazes, portanto, de enxergar algo fora de seu horizonte formativo.
Há, portanto, um viés ideológico de difícil superação que impregna nosso dia-a-dia, inclusos profissionais da saúde. Exemplo prático, as diretrizes da ADA - Associação Americana de Diabetes, que só veio a reconhecer em 2019 que estratégias alimentares de redução de carbohidratos são as mais adequadas para tratamento da diabetes.
Ocorre que reduzir carbohidratos da nossa alimentação, açúcar, arroz, farinha de trigo, por exemplo, implicaria numa revolucão em nossa máquina produtiva. Os senhores dessa máquina, ao que parece, se importam muito pouco com a vida das pessoas, reduzida ou prejudicada pelo inexorável escalavrar da saúde, ainda que lento.

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